A cena: marido e eu passeando pelo condomínio com a pequena Nina. Ela com alguns dias de vida, nem um mês ainda...
Um conhecido passa e diz: "Ai, que linda, Parabéns. Minha esposa também está grávida... Muda muito depois que eles nascem?". Eu respondo: "Sim, muda tudo!". E marido: "Sim, muda pra muuuito melhor!".
Eu fiquei ali, sem saber o que falar, me achando a pior pessoa do mundo (culpa) por achar que não estava tão bom assim como ele estava afirmando.
Então, resolvi falar um pouco sobre a experiência que venho passando, desde que a Nina nasceu.
É impossível saber com antecedência o que é e como é cuidar de um recém-nascido. Você pode até achar que já sabe o que esperar, de tanto ouvir as pessoas contarem sobre o choro do bebê, a falta de sono, as trocas de fralda. Mas, enquanto não acontece com você, não dá para entender exatamente o que é isso. Até as mulheres mais descoladas podem não aguentar, serem incapazes de tirar o pijama, de tão cansadas e inseguras. É inevitável que a gente se pergunte se somos as únicas a ficar tão desorientadas com a nova vida. Mas não, depois descobri que acontece com todas (ufa!).
Pra começar, tem a recuperação do parto, independente se foi parto normal ou cesárea. Os hormônios no corpo mudaram drasticamente após o nascimento. Tem os pontos da cirurgia, sangramento, cólicas. Ao mesmo tempo, estamos tentando amamentar. Um caos vividos nos primeiros 10 dias (os piores, segundo a pediatra da Marina).
Você está tão cansada que mal consegue abrir os olhos; não consegue se trocar porque, toda vez que abre o armário para decidir que roupa cabe no seu corpo, o bebê chora ou precisa de alguma coisa. Banho, então, nem pensar - só quando tiver alguém para olhar o bebê. Lavar os cabelos é artigo de luxo. Até hoje, eu consigo lavar os cabelos uma vez por semana e só. Você fica preocupada com os horários das mamadas que se esquece de comer. E ainda tem que tomar água pra fazer leite.
Então, você se dá conta de que, apesar de quase não ter experiência nenhuma no assunto, é responsável pelo bem-estar, pelos cuidados, pela alimentação e pela proteção daquele bebezinho frágil, 24 horas por dia, sete dias por semana. E tem de levá-lo ao pediatra para pesar e dar vacina, cuidar da roupa, pensar no que comer e ainda proporcionar os melhores estímulos para seu desenvolvimento. Dá para entender por que tanto cansaço. É muita coisa e tudo tão novo!
Os primeiros dias do bebê são difíceis. Têm dias em que o peso da responsabilidade, as tarefas domésticas e os cuidados práticos com o bebê não te deixam curtir o bebê como gostaria.
Mas a boa notícia é que, com o tempo, a gente se ajeita e cria uma nova rotina, onde nós conseguimos fazer tudo isso aí em cima e muito mais.
O que eu fazia desde os 10 dias de vida da Nina era sair com ela pra passear ao ar livre. A pediatra liberou para passeios em lugares abertos, para tomar sol, e aqueles 10, 15 minutos eram ótimos para nós. Às vezes eu ia pela manhã e à tarde.
Confesso que eu tentava sim deixar a casa limpa, porque aqui tem cachorro e gato. Levantava e ia limpar tudo antes da Nina acordar. No início era bem difícil e cansativo, agora já tiro de letra.
Uma coisa que não estava a meu favor era o fato de estar sozinha. Não tinha ninguém (e ainda não tenho) pra me ajudar. Marido ficou 25 dias em casa e depois fiqui só. Ainda bem que ele tirou férias, senão acho que eu ia enlouquecer.
Também pelo fato de estar amamentando, não posso ficar longe da Nina por longos períodos.Então, ainda não fui a um salão de beleza, por exemplo. Pintei o cabelo em casa e faço minha unha em casa também, quando marido está, para cuidar da pequena.
Têm dias que eu só queria dormir um pouco, deitar o corpo na cama e espichá-lo. Deixar as costas descansando... Os braços já estão acostumados. Nem dóem mais.
É verdade que a vida muda totalmente a partir do momento que o bebê nasce, mas o caos e o estresse das primeiras semanas não duram para sempre - graças a Deus. Logo eu penso que tudo será meio que automático, e a vida seguirá normalmente. Espero!
E em meio a tudo isso acontecendo, ainda quero ter um segundo filho. Porque tudo isso vale muito a pena quando vemos aquelas carinhas lindas sorrindo para nós, querendo nosso colinho, nosso leite... Afinal, somos MÃES!
Beijos!